bom senso profecias e ‘redes sociais’

Mais um estudo sobre os benefícios (!) e as oportunidades para as empresas, proporcionados pelo advento das redes sociais.

As redes sociais, são um êxito incontestável e parecem (por enquanto) estar longe de ver realizado o seu potencial.

No cruzamento entre ‘redes sociais’ e ‘mundo empresarial’ o fenómeno ganha uma dimensão que chega a ser cómica – pelo menos para as empresas cujo seguimento imponderado das ‘estratégias mais inovadoras’ não levou a situações mais complicadas e mais perversas.

O drama associado é que, dada a dimensão do fenómeno, o bom senso fica completamente cilindrado pelas opiniões dominantes (e dominadoras).

Tal como na imprensa tradicional, onde urge ser capaz de detectar e interpretar o papel do anúncio de página inteira, colocado na página seguinte ao artigo de opinião sobre a respectiva empresa (!), em relação às redes sociais, importa ter presente o posicionamento dos fazedores de opinião.

Assistimos a uma avalancha de conselhos e a projecções avassaladoras de fenómenos transformadores que vão tomar conta dos mercados – urge porém entender qual é o interesse investido do aconselhador e tomar todas essas opiniões com bem senso e, um grão de sal.

Há não muito tempo, também nos garantiram que ‘second life’ e ‘myspace’ iriam ser a próxima e incontornável plataforma dos relacionamentos e negócios do futuro. Só que o futuro, teimoso, teve uma opinião diferente.

Estamos aqui, muitas vezes, no domínio das profecias auto realizáveis, conceito criado e teorizado pelo sociólogo Robert K. Merton.

A profecia auto-realizável nasce à partida de uma incorrecta (falsa) caracterização da situação, sugerindo um comportamento novo, que faz a falsa concepção original tornar-se ‘verdadeira’. É esta validação cíclica do postulado original (profecia auto-realizável) que perpetua um ciclo de erros. O autor cita então o curso dos acontecimentos como prova da sua tese e como confirmação de que estava certo desde o início.

Da conjugação dessa profecia auto-realizável com um outro conceito curioso, o efeito de Pigmalião, nascem muitos dos equívocos que já começam a descortinar-se e, seguramente, vão tornar-se (dramaticamente) evidentes nos próximos tempos.

O efeito de Pigmalião, refere-se ao fenómeno que faz com que (frequentemente) quanto maiores as expectativas que colocamos nas pessoas (por exemplo, estudantes ou trabalhadores) melhor o seu desempenho – através de um ciclo de reforço positivo motivacional. Mas evidentemente que não estamos perante uma ‘lei’. Pigmalião, um personagem de Ovídio, era um escultor que se enamorou da estátua de mulher que esculpia, tornando-se esta realidade…

Concluo agora a longa diatribe.

Estudo recente indica que afinal que os ‘gosto’ dos facebook desta vida, têm um valor ‘relativo’. E usam, para o explicar, uma metáfora deliciosa. Dizer que uma empresa, uma marca, tem dez mil gostos/fãs é como, para falar da precipitação num determinado território, somar todas as chuvas acumuladas ao longo da última década – abençoadas inundações que limpem um pouco da poeira das ideias pré-concebidas e não contestadas.

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Qual é a primeira (e última) imagem que o Algarve oferece aos seus visitantes?

 

O aeroporto de Faro!
Ao longo dos anos, o seu enfoque e prioridades nem sempre estiveram alinhados com os melhores interesses da Região.
Os estacionamentos custavam o resgate dum rei (quando o vizinho aeroporto de Sevilha já era bem menos ganancioso) e verdadeiramente só baixaram há pouco, depois de empresários privados terem começado a oferecer serviços de “estacionamento de longa duração” fora da área aeroportuária, facilmente maximizando as vantagens da sua localização única e estatuto publico, para cilindrar os investimentos dos empreendedores que arriscaram em ofertas alternativas.
Há algum tempo soube-se também que o operador aeroportuário cobrava um valor fixo por todos os embarques e desembarques, um extra adicionado à tarifa aérea, para custear o ‘handling’ dos passageiros com necessidades especiais(!)…Ou seja pretextando em antecipação, por exemplo, um passageiro com necessidade de utilizar uma cadeira de rodas, é cobrada uma taxa extra sobre todos os bilhetes vendidos.
Na sequência do “tornado localizado” do ano passado as obras de recuperação arrastam-se, tornando ainda mais terceiro-mundista a chegada a Faro. O exterior da aerogare está há largos meses revolvido por infindáveis e dificilmente compreensíveis intervenções que parecem ter como objectivo rentabilizar receitas, devidamente articuladas com a repressão do parqueamento de rua em áreas cada vez mais extensas. Enquanto os clientes (detesto a prática de chamar passageiros aos CLIENTES da industria aeroportuária) precisaram saltar tábuas e valas atravessando estaleiros dificilmente compreensíveis para os não iniciados, lá dentro, as obras de recuperação dos estragos do “tornado localizado” continuam (?) ao seu ritmo próprio e o primeiro contacto com o Algarve é feito numa tenda (!).
Mas há outras bizarrias. A aerogare conta com 6 mangas telescópicas para embarque e desembarque directo para os aviões. Porém, a qualquer hora do dia estão uma ou duas ocupadas enquanto o embarque e desembarque dos voos é feito por autocarros, ou a pé se for um voo daquela companhia que parece ter sempre o poder de ‘negociação’ para forçar a mão aos operadores aeroportuários que alegremente esquecem, segurança, conforto e e sustentabilidade, obrigando os seus clientes a, se for um voo não-schengen, a maioria em Faro, subir até ao segundo andar, descer até ao primeiro, caminhar pela manga, descer umas escadas metálicas, caminhar pela pista e subir para o avião que esteve todo o tempo ali ao lado da manga (!).
Mas através deste artificio justificam-se (?) as tarifas aeroportuarias especiais que juntamente com os anúncios de empresa e outdoor compõem o pacote ‘incentivo’ à operação.
No Algarve, pagam-se portagens justificadas no principio do utilizador pagador, enquanto se subsidia com o dinheiro dos contribuintes os supostos voos baratos!
Tanta coisa que vai ficar por fazer depois de perdida a oportunidade que poderia ter sido a operação de resgate internacional…

Comentários e Avaliações – um novo business?

À medida em que as avaliações e comentários online ganham cada vez mais importância nas decisões dos consumidores, os diferentes payers vão afiando as armas.

Ainda no rescaldo de notícias que fizeram as parangonas dos sites profissionais na semana passada, reclamando com algum escândalo do facto de se encontrarem na rede ofertas comerciais de avaliações e comentários.

Para que não fiquem dúvidas: pessoas e empresas a oferecerem-se para redigirem comentários e avaliarem hotéis e, de uma maneira geral experiências turísticas, por um preço!

Ora vejamos. O fenómeno não está ainda generalizado, se bem que existam cidades, nomeadamente na Europa Central e Oriental onde é uma autêntica praga. Mas não tem nada de novo. Onde anteriormente se contratavam opinion makers e empresas de comunicação para conseguir as desejadas críticas e menções ou mesmo um prémio anual, que sempre tiveram um custo, temos agora, com o advento das redes sociais, a democratização da opinião, a todos os níveis. Diria que o fenómeno é o mesmo de sempre, apenas está mais acessível, massificado e, mais económico 🙂

Como toda a gente que frequenta sites sociais (toda a gente…!…) é conhecido o fenómeno dos votos, dos smileys, dos ‘gostos’ e de todas as outras formas de ‘aprovação’ internética. Aquilo a que a hotelaria assiste agora é apenas uma outra faceta desse fenómeno.

Com o seu quê de hipocrisia, a Autoridade Britânica para as Normas Publicitárias veio agora anunciar que o Tripadvisor ( um negócio de 4 mil milhões de dolares em Dezembro quando foi separado da Expedia e oferecido numa OPA ) não pode continuar a apresentar as suas avaliações como sérias e reais (!)

Fiquemos agora à espera de um qualquer algoritmo capaz de seriar os comentários, dos clientes reais e satisfeitos, dos clientes reais e legitimamente insatisfeitos, dos clientes ressabiados por algum pedido ou expectativa não correspondido e, dos clientes_ghost_writer!

Nalguns mercados parece haver já a figura do hoteleiro travestido de cliente super satisfeito e também de cliente impertinente no site da sua concorrência.

Obrigado Vasco Graça Moura, por este acto (ato?) de resistência!

Graça Moura dá ordem aos serviços do CCB para não aplicarem o Acordo Ortográfico – Cultura – PUBLICO.PT.

O acordo ortográfico nasceu de uma boa ideia, razoável e generosa que se plasmava na defesa, reforço e expansão da língua portuguesa. A gestação foi inusitadamente longa e, a determinada altura, um parto político apressado foi ordenado, porventura quando os profissionais dos soundbytes entenderam que era o timing político (interno) certo.

Da bondade dos argumentos construídos sobre lapalissadas do género 'a língua é uma coisa viva' cedo se passou para uma espécie de democracia dos números ' há tantos lusofalantes no Brasil e os Portugueses são pouco mais de dez milhões', foi um curto passo até à imposição administrativa.

Na verdade em pouco alterou o panorama ortográfico em Portugal (por ventura menos ainda no Brasil, donde há pouca noticia de palavras modificadas por via do acordo). Onde se escrevia mal e falava pior, pouco mudou. Os poucos que se esforçavam por escrever correctamente ficaram ainda mais abandonados, os outros, não se aperceberam da mudança...

As legendas nas televisões, os títulos nos jornais, passaram a dedicar uma atenção extra às consoantes mudas e às outras bizarrias folclóricas, deixando campo livre, liberdade e bonomia, aos velhos erros de sempre e a uma moderna panóplia de novas asneiras.

Nos meios de comunicação, os textos dos que se mantiveram irredutíveis, passaram a ostentar o equivalente da estrela amarela, 'o autor escreve segundo a antiga ortografia'. Nas chamadas redes sociais, onde há mais escritores que leitores e se mescla com galhardia o Lello com o T9 da Nokia, ninguém se apercebeu da mudança.

Hoje em dia é tão fácil listar dúzias de palavras e respectivas corruptelas que pesquisadas no Google dão empates técnicos entre as formas correctas e as asneiradas...

O acordo, na verdade não precisa ser implementado - muito menos imposto a decreto e porrete - bastará pacientar alguns anos mais e um mix de alfabetização precária, parcos hábitos de leitura, media sem tempo nem recursos para rever adequadamente as peças e uma galopante miscigenação googlica, para que a questão se resolva de per se: a norma maioritária não será geográfica, mas completamente transversal, escreveremos todos, orgulhosamente, um luso- pós-moderno.

Obrigado Vasco Graça Moura, por este acto (ato?) de resistência!

Petiçāo publica para a permissão de fumar nas salas de cinema

Ontem fiz mais uma tentativa para me reconciliar com o cinema mainstream.

Praticamente reduzido às salas de exibição em centros comerciais, os cinéfilos algarvios estão bem mais limitados nas escolhas, de programação e condições de exibição, do que a população da capital. O cinema, tal e como se nos proporciona hoje em dia é uma experiência sensorial brutal – e não vou aqui entrar nos méritos e deméritos da pipocagem militante.

As condições de higiene são atrozes. De sessão em sessão, ao longo do dia, não há praticamente limpeza das salas. Ao final do dia, à semelhança duma famosa companhia de aviação de baixo custo, é o colaborador que verifica os bilhetes (precário, digo eu) que com uma tímida vassoura e um apanhador, recolhe qualquer pipoca mais teimosa que, por ainda não esmagada, se torne demasiado obvia ao longo do pequeno corredor de entrada das salas até à zona do anfiteatro. Sessão após sessão, a sujidade acumula-se nas salas. Emplastrada nas gastas alcatifas, nos revestimentos das cadeiras, nas pregas dos drapeados dos espessos (de sujidade) reposteiros que cobrem as paredes. Nos sanitários, ao melhor estilo das estacões ferroviárias do antigamente, as manchas perpétuas convidam à datação, por analogia com o sistema de observação dos anéis concêntricos em troncos de árvores, e os eflúvios que emanam dos mictórios são nauseabundos e evocam o pior da estacão da seca em Benares, com esgoto, cadáveres e tudo… Iniciada a projecção o som bombardeia o publico com intoleráveis decibeis aos quais, condicionado já pela frequência de outros locais onde a mesma pratica está convencionada, a plateia reage com bonomia e indiferença.

Escuso-me a comentar a linguagem cinematográfica-playstatiónica, construída sobre um edifício de sequências de réveillons madeirenses sintetizados em computador…

Pergunto-me apenas onde estão as variadissimas entidades que protegem a saúde publica e o consumidor? Onde estão as autoridades que ainda há três invernos atrás tanto se preocupavam com a saúde e higiene e nos pediam a constante lavagem, limpeza e desinfecção. Falta-nos uma gripe dos porcos cinéfila! Estas salas de cinema são casos de saúde publica e o que oferecem é uma experiência terceiro mundista. Será que não é possível entre as perseguições às colheres de pau das cozinhas, aos crocodilos de contrafacção e ao leite excessivamente barato, arranjar um tempinho para ir ao cinema?

Entretanto, acho que para completar o bouquet só falta mesmo que se possa começar a fumar nas salas de cinema. Fazemos uma petição publica para a permissão de fumar nas salas de cinema?

Ligação

Vamos lá a ver se entendemos bem…. O tribunal do comércio de Paris, condenou a google por esta fornecer GRATUITAMENTE mapas que uma empresa local VENDIA…Le tribunal de commerce de Paris a condamné Google et sa filiale française pour abus de position dominante, mercredi 1er février. Le géant américain de l’Internet était opposé à l’entreprise Bottin Cartographes, qui fournit contre rémunération des plans d’accès, cartes de localisation et itinéraires en ligne.A ce titre, elle considérait que l’application Google Maps faussait les règles de la concurrence en offrant gratuitement aux entreprises le même service alors qu’elle-même subit des coûts pour concevoir son produit.Dans son jugement, le tribunal a condamné Google à notamment verser 500 000 euros de dommages et intérêts à l’entreprise de cartographie française, ainsi qu’à 15 000 euros d’amende. Le tribunal a également ordonné la publication du jugement dans les quotidiens Wall Street Journal, Herald Tribune, Le Monde, Le Figaro, La Tribune et Les Echos.

A google condenada por abuso de posicao dominante ?!?! Pelas boas razoes???