tap dancing

airpasteldenata

Talvez se eu tivesse ido em criança à Eurodisney com a TAP e novamente, na lua-de-mel, à ‘república’, tivesse simpatia pela empresa.

Não fui, e não tenho.

Milhares de horas de voo na TAP (e noutras companhias) e sempre entendi, como cliente, que era um produto sofrível. Escrevi cliente, sim. A empresa sempre preferiu tratar-me como ‘passageiro’ na mesma linha das que usavam ‘assinante’ e dos ginásios que usam ‘sócio’ . Mas gosto das coisas claras e cliente é a designação objectivamente mais correcta.

Também como interessado no desenvolvimento turístico do Algarve e participante com diferentes níveis de responsabilidade nesse mesmo desenvolvimento turístico, pude constatar, que a empresa sempre prestou um desserviço à Região. Quando era monopolista, não tinha interesse, quando o deixou de ser, não teve visão e não era competitiva.

É na competitividade que está a questão de fundo.

A empresa nunca encontrou o seu lugar no mercado. É cara para low-cost e não tem qualidade para companhia full-service de sucesso. Ao longo dos anos sempre foi errática no que respeita ao padrão de serviço, pouco confiável quanto à operação e sempre enleada em novos desenvolvimentos de êxito previsivelmente duvidoso. A pequena história recordará alguns como a operação para Los Angeles ou Macau, a escolha entre Montreal e Toronto ou mais recentemente as novas ex-rotas com morte anunciada de Belgrado, Talinn e São Petersburgo.

Também para as regiões autónomas, cedo se constatou que a ficção do ‘serviço público’ estava a prejudicar os residentes tanto quanto prejudicava o turismo das regiões.

Há hora que escrevo há alguns cartazes nas ruas de Lisboa a convocar uma manifestação a defender a TAP. Fazedores de opinião e bricoleurs de petições também se têm agitado: a nossa TAP – dizem com um brilhozinho nos olhos…

Não tenho solidariedade para oferecer. Como o mercado demonstrou a empresa não tem futuro, o produto não é suficientemente apelativo e não encontrou o seu posicionamento no mercado. Possivelmente não haverá coragem para a vender e continuará a drenar recursos.

Não é uma universidade nem um hospital…e para termos orgulho em Portugal, … já temos o Ronaldo e o Saramago, o Alvarinho, os pastéis de Belém e os tubos da Nazaré!…

Talvez se eu só tivesse ido em criança à Eurodisney com a TAP e novamente, na lua-de-mel, à ‘república’ , tivesse simpatia pela empresa…

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o limite das garantias do cliente, fábulas à parte

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Não pensei que o meu mais recente post, sobre as garantias do consumidor e a forma como podem ser fintadas pelo mundo empresarial com conivências várias, tivesse a divulgação e o spin-off que pude observar.

A questão de fundo era, recordo, a protecção do cidadão / cliente / consumidor e em particular o quadro de excepção que o sector automóvel conseguiu gizar para atropelar (passe o humor fácil) os direitos dos clientes.

Abordei a questão do mercado na região Algarve onde nos últimos anos se reduziram sistematicamente as opções de escolha (a concorrência), com uma concentração absurda de marcas num único grupo empresarial.

Depois, o facto de neste sector, o vendedor ser também representante do fabricante, o perito, o garagista (oficina) e o guardião das garantias.

É óbvio para qualquer observador que estamos perante uma situação bizarra em que o cliente está refém dum conjunto de interesses verticalizado, que decide em causa própria e sem apelo.

É óbvio que existem sinergias importantes (boa metáfora, hein?!) entre quem vende o bem, quem vende as peças, quem faz a reparação e quem decide se a garantia pode ser invocada.

Recordo que a putativa garantia só é ‘válida’ se o cliente se sujeitar durante toda a vida útil do bem a uma dieta exclusiva de serviços prestados pelo mesmo conglomerado, sem alternativas e sem contraditório.

Esta é a situação que conhecemos todos e o tema que me é caro e que quis abordar desta vez, na linha das problemáticas que me interessam.

Naturalmente, quem está confortável num sistema que lhe dá todas as garantias que retira ao cidadão / cliente / consumidor, sempre tentará fulanizar a questão, fazendo com que pareça ser um queixume de azarento quando não um mau perder de manhoso. Nada mais cómodo que desarticular as questões, atomizando as queixas e apoucando os queixosos para continuar a gerir um statu quo confortável e lucrativo. Mas não foi de todo esse o objectivo do post.

Será que o legislador queria mesmo dar maior protecção ao cliente da torradeira chinesa?

Na construção civil, só por exemplo, a garantia legal prestada pelo cliente é de 5 anos, você pode levar a sua casa os peritos que entender e não ouve o construtor dizer, olhando as rachas, que houve muitos sismos no Algarve e você deu mau uso à casa, pois não?

Será então que durante a implementação do quadro de protecção ao consumidor algo enviesou dramaticamente afastando a prática da intenção da lei e transformando um vastíssimo conjunto de clientes em reféns domesticados?

aeroporto de Faro, o ícone do turismo da região

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O aeroporto de Faro por quem nutríamos aquele esboço de simpatia e tolerância que reservamos às coisas ‘nossas’ é, desde a privatização da ANA, consumada em Dezembro último, propriedade da Vinci Concessions, cujo presidente afirmava em Fevereiro, considerar que a empresa “está muito bem gerida”. Como costuma dizer uma amiga: ‘que bom que eles acham’. Desde o ponto de vista do Algarve, para os clientes (como eu detesto o eufemismo cobarde da palavra: utente), para o ‘trade’ local, para a imagem da Região, é difícil perspectivar a situação com a bonomia implícita nas palavras que o assessor de comunicação terá naquele dia sugerido ao CEO da Vinci.

Depois do célebre epísódio do tornado localizado, que qual drone do mal actuou cirurgicamente sobre a cobertura do aeroporto de Faro em 24 de Outubro de 2011, tivemos oportunidade de aqui referir, 4 meses depois e, de novo  meio ano depois, o desastre continuado que representava para a imagem da Região as condições em que eram recebidos em Faro os passageiros que demandavam a Região.

Por fim, as obras foram concluídas e a aerogare reabriu em pleno, não sem que alguns dos seus originais defeitos de concepção (no circuito dos passageiros) fossem restabelecidos e ampliados.

Passou mais um ano e toda a área do aeroporto continua com aquela imagem híbrida de 3 partes de beirute e duas partes de bagdad…

Paulatinamente a ANA vai anunciando no seu site o início e a conclusão de fase após fase, cada uma delas trazendo aos clientes do aeroporto promessas de novas valências, conforto e sofisticação.

Boa em comunicaçao, as nottícias vão sendo divulgadas regularmente. Lemos com atenção o site criado pela empresa  onde nos é dado conhecimento dos progressos (sempre!) da designada “Empreitada Parques, Novos Acessos Viários, Curbsides e Reordenamento Paisagístico”. A Fase 3, iniciada pouco auspiciosamente uma semana antes do ‘tornado’, terá terminado em Abril de 2012 e, desde então, tem sido um percurso vertiginoso de abertura de rotundas, abertura de novos arruamentos, alteração temporária, trabalho nocturno, um sem fim de melhoramentos nos acessos ao aeroporto.

Triste e lamentável é que a recepção terceiro mundista mantêm-se consistentemente como um ex-libris do aeroporto. Há uma estaleiro gigantesco que aguarda os passageiros. Quilómetros (são quilómetros mesmo!) de acessos temporários perante montes de escórias, valas, redes de vedação, tapumes de diferentes tipos, enquanto circulamos a uma distância da aerogare observando cada perspectiva da infraestrutura posando em combinação com um cilindro e uma retroescavadora, modesta, escondendo-se atrás dum monte de terra, realçada, por uma vala monumental, texturada por diferentes tipos de redes, grelhas e tapumes, enquadrada, por amplas superfícies asfaltadas para os novos mega estacionamentos.

Não seria também má ideia se o município desse mais atenção a estas obras, pelo menos as que decorrem nas vias públicas nacionais e municipais, onde há longos meses não são cumpridas condições mínimas regulamenteres de segurança e acesso, designadamente a proteção dos peões e o direito de, se assim o entendermos, chegar à aerogare a pé, qual peregrinação a este monumento de configuração variável e em construção permanente que se está a transformar num ícone do turismo da região.

Empreendedorismo: para a economia real, apoio real

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No contexto social e económico, político também, que se vive no Algarve, ganha actualidade a dimensão dinamizadora dos activos, operacionalizada através de programas orientados ao empreendedorismo.

Muitos desses activos, uma sangria trágica na pool de competências em que todos investimos tanto, estão especificamente orientados ao Turismo e particularmente à Restauração e Bebidas, sector considerado de entrada mais acessível e com menos barreiras que outras possíveis alternativas no contexto da Região.

Efectivamente uma pequena unidade de R&B, pode ser a montagem possível, que combine recursos (modestos) disponíveis e competências adquiridas em percursos frequentemente ricos, pela oferta turística da Região.

O chamado Licenciamento Zero, uma das ferramentas das políticas que ficaram conhecidas por SIMPLEX, permite através duma plataforma online, cumprida a condição de dispor de alvará de autorização do edifício ou fracção, passar de imediato ao preenchimento online dum formulário electrónico disponível no Balcão do Empreendedor e, abrir, de IMEDIATO, o seu estabelecimento devidamente licenciado.

Tempo é dinheiro e caro para qualquer empreendedor. Tempo é ainda mais caro para quem dispõe de recursos muito limitados, arriscou com um fundo de maneio irrisório e se lançou ao mercado ‘sem rede’…

Acontece que, por questões que terão que ver com a plataforma tecnológica, esta funcionalidade não está disponível no Algarve.

Claro que existem outras vias, as que sempre existiram… O empreendedor, munido de toda a sua engenhosidade, ingenuidade, paciência e confiança no seu projecto e no futuro, dirige-se à Câmara Municipal onde entrega toda a documentação necessária, empurrando-a literalmente pelo esófago longo e escuro do aparelho administrativo.

A lei estabelece 10 dias para a concessão da autorização de utilização (a indispensável licença de funcionamento a que muitos ainda chamam de porta aberta). O processo estaria nesse momento, nos termos da lei, concluído e o empreendedor poderia descansadamente abrir a sua porta.

Pergunta agora o leitor “então e a vistoria?” Não tem necessariamente de haver vistoria! A lei é clara. Dentro do mesmo prazo já referido de 10 dias, o Presidente da Câmara tem a faculdade de determinar a realização de vistoria MAS, quando se verifique alguma das seguintes situações: processo mal instruído; indícios sérios, de que a obra se encontra em desconformidade com o respectivo projecto; OU existam indícios sérios de que o edifício, ou fracção autónoma, não é idóneo para o fim pretendido.

Protelar, através da utilização integral dos prazos e também da figura da vistoria, o acesso à autorização de utilização não decorre da lei. Muito pelo contrário. Apenas da falta de sensibilidade para com as necessidades da economia real ou da falta de vontade política para fazer recolher os serviços camarários ao respeito pelo primado da lei e do direito.

Casos recentes em diferentes municípios do Algarve demoraram entre 3 e 4 meses, o município insiste em enviar os seus técnicos para a realização da chamada vistoria, a ela condicionando a emissão da autorização de utilização.

3 a 4 meses (!) durante os quais o empreendedor, que não pode aguardar tanto tempo sem abrir a porta (nem em bom rigor a lei lho exige), esteve operando na ilegalidade e sujeito às trágicas e dispendiosas consequências duma visita de inspecção.

 Desta reflexão gostaria de ressaltar dois aspectos:

1. intolerável atraso do alargamento da plataforma do Licenciamento Zero ao Algarve (que num outro contexto e num outro blog mereceria a classificação de discriminatória para a Região)

2. lamentável que, enquanto a nível central a questão tão tem o necessário tratamento, as autarquias não se invistam da sensibilidade proactiva, não para uma situação de favor e excepção, mas tão só, para o cumprimento da lei.

 Às vezes promover a criação de emprego e acarinhar a economia real é até bem simples…

N. do A.: Ponderei bem antes de escrever este blog. Fiz um exame de consciência. Tenho a certeza que traga o futuro o que trouxer, não vou pensar em requerer o licenciamento de um estabelecimento de restauração e bebidas na Região 😉

a ferro e fogo

Hoje vou fazer uma coisa inovadora (para mim!), vou escrever sobre um tema que desconheço…vou alinhavar aquilo que o mundo anglófono chama umas ‘educated guesses’…

Nos últimos anos a actividade da restauração foi carregada com um conjunto (que inicialmente pensei desproporcionado) de exigências em matéria de segurança contra incêndios. Mas como não disponho das competências técnicas para avaliar a bondade dessas exigências, calei-me, submetendo-me ao argumento brutal da segurança das pessoas e bens.

Estou a exagerar?

Vejamos: desde a publicação em 2007 do DL 234, aparentemente mais simples que o anterior, só porque despojado dum conjunto significativo de normas e exigências que passaram para as Câmaras Municipais por via do RJUE (Regulamento Jurídico da Urbanização e da Edificação), que passou a ser necessário que o promotor, quer duma abertura quer duma modificação, como condição prévia à emissão da licença ou autorização de utilização, remeta à Câmara Municipal respectiva, entre (muitos) outros documentos, um termo de responsabilidade subscrito pelo autor do projecto de segurança contra incêndios.

É daqui que nasce aquela obrigação curiosa que já todos testemunhámos de afixar uma planta de evacuação na parede da sala de chá com 20 metros quadrados e uma porta (!).

Parece simples?

Mas implica o cumprimento escrupuloso das principais disposições constantes do Regulamento Técnico de SCIE (Segurança contra Incêndios em Edifícios), ou seja…

Hidrantes exteriores (condições exteriores)* –de acordo com a NP EN 14384 (art. 12º)

Portas resistentes ao fogo e dispositivos de fecho e retenção* – (art. 34º e 36º)

Sinalização – (Decreto-lei 141/95, Lei 113/99, Portaria nº 1456-A/95 e art. 108º – 112º da Portaria nº 1532/2008)

Iluminação de emergência* – (art. 113º – 115º)

Sistemas de detecção, alarme e alerta* – (art. 116º – 132º e 270º ) – Devem ser dotados de instalações de alarme da configuração 3, com excepção dos edifícios da 1ª categoria de risco, que podem ser dotados de um sistema de alarme da configuração 1, e dos edifícios da 1ª categoria de risco exclusivamente acima do solo, que podem ser dotados de sistemas de alarme da configuração 2

Controlo de fumo* – (art. 133º – 161º) • Exutores – devem estar de acordo com a Norma EN 12101-2

Extintores* – devem estar de acordo com as Normas NP EN 3, NP EN 1866 e NP 4413 (art. 163º)

Bocas de incêndio do tipo carretel* – devem estar de acordo com a NP EN 671-1 (art 164º – 167º)

Redes secas e húmidas* – (art 168º – 171º e 257º) Redes húmidas, a partir da 3.ª categoria de risco, devendo ser do tipo homologado

Sistemas fixos de extinção automática de incêndios* – (art. 172º-176º) – Por água / sprinklers (art. 173º – 174º), a partir da 2.ª categoria de risco

Sistemas automáticos de detecção de gás combustível* – (art. 184º e 185º)

O leitor já está incomodado com o detalhe? Pode passar aos finalmentes..sem perder o fio à meada…

Sistemas de Protecção Passiva:

Limitações à propagação do incêndio pelo exterior – (art. 7º – 10º)

Condições gerais de comportamento ao fogo, isolamento e protecção – Critérios de segurança –(art. 14º)

Resistência ao fogo de elementos estruturais e incorporados – (Anexo II do Decreto-lei nº 220/2008 e art. 15º e 16º da Portaria nº 1532/2008)

Compartimentação geral de fogo – (art.17º – 19º)

Isolamento e protecção de: • Locais de risco – (art. 20º – 24º) • Vias de evacuação – (art. 25º – 28º) • Canalizações e condutas – (art. 29º – 33º)

Protecção de vãos interiores: • Portas resistentes ao fogo* – (art. 34º) • Câmaras corta-fogo – (art.35º) • Dispositivos de fecho e retenção das portas resistentes ao fogo* – (art. 36º)

Reacção ao fogo – (Anexo I do Decreto-lei nº 20/2008 e art. 38º – 49º da Portaria nº 1532/2008)

Portas de emergência* – (art. 62º)

Dimensionamento de câmaras corta-fogo –(art. 63º)

Condutas de evacuação de efluentes de combustão*– (art. 92º e 93º)

Ventilação e condicionamento de ar* – (art. 94º -100º)

Controlo de fumo* – (art. 133º – 161º )

Estes equipamentos e sistemas devem ser submetidos a procedimentos de manutenção/inspecção com uma periodicidade mínima anual.

O leitor ainda resiste? Não esqueça que pode passar aos finalmentes..

DEVE:

. Nomear um responsável e um substituto pela segurança contra incêndios

. Verificar a manutenção das condições de acesso dos meios externos, estacionamento e entradas

. Informar as entidades competentes da eventual inoperacionalidade das bocas de incêndio exteriores, embora a sua conservação não seja da sua responsabilidade

. Garantir o desimpedimento das vias de evacuação

. Garantir o acesso livre aos meios de 1ª e 2ª intervenções, assim como aos comandos das betoneiras de alarme

. Reforçar a vigilância dos locais de maior risco e menos ocupação humana

. Garantir uma limpeza adequada e uma correcta arrumação de produtos e mobiliário

. Promover formação adequada para todos os trabalhadores do estabelecimento na área de Segurança Contra Riscos de Incêndio e Socorrismo

. Garantir a verificação dos equipamentos de 1ª intervenção

. Garantir a manutenção dos equipamentos de Detecção, Iluminação, e 1ª Intervenção por técnicos qualificados

. Garantir a manutenção de equipamentos eléctricos e respectiva instalação por técnicos qualificados

. Garantir a manutenção de instalações de Gás por técnicos qualificados

. Verificar a visibilidade da sinalética de segurança

Obrigado ao leitor que chegou até aqui pela simpatia e perseverança!

Os finalmentes

Se o promotor de um, já agora para simplificação, pequeno ou médio estabelecimento de restauração ou bebidas, precisa cumprir com estas ‘tábuas da lei’, com os custos em termos de equipamentos, instalação, assessoria, manutenção e formação, que pode imaginar, naturalmente que estruturas mais complexas, têm justamente objectivos mais complexos e sofisticados.

Há três dias, na cidade turística de Portimão, durante a madrugada, uma gigantesca nave comercial, relativamente recente e cumprindo, tenho que presumir, com todas as regras e regulamentos, ficou, em algumas horas no estado apocalíptico que a imagem testemunha.

Pergunto então, esta regulamentação é a necessária e suficiente (e como é que não sobrou nada do retail park?) .

Esta regulamentação não é a suficiente (e então o que mais exigiremos ao promotor dum estabelecimento de restauração e bebidas?)

ou não será que, como em tantas outras áreas, a regulamentação ganhou uma vida própria instilada, neste caso, por uma já instalada indústria de equipamentos e serviços de segurança contra incêndios?

Não traz mal à economia acrescentar serviços (valor) a montante da cadeia de produção. Mas se o valor que esses serviços acrescentarem for negativo, retira competitividade à economia (ao sector) e tudo fica desnecessariamente onerado, administrativa e financeiramente.

Seria bom fazer aqui uma reflexão enquanto ainda há promotores e estabelecimentos de restauração e bebidas.

Internet Wi-fi is available in the hotel rooms and costs EUR 10 per hour [?!!]

O Observatório de Lisboa divulgou, recentemente, os dados da ocupação hoteleira da cidade de Lisboa. Comparava-se Junho 2012 com o mesmo período do ano passado.

Conhecendo as grandes tendências subjacentes (crise nacional e internacional, volume de unidades e camas que têm vindo a entrar no mercado nos últimos anos, sistemático reposicionamento nominal das ‘pensões’ como ‘hotéis’ nos canais online, políticas promocionais e comerciais), não seria necessário despender tempo com a sua leitura.

As quebras de ocupação verificam-se em todas as categorias com excepção positiva para os 3 estrelas (+3,2%) e notável recuo dos 5 estrelas (-16,9%)

Em termos de RevPAR os resultados não diferiram, com uma quebra global de -7,7%, de novo liderada pelos 5 estrelas (-18%), acompanhada à distância pelos 4 e 3 estrelas – conhecemos bem o impacto a nível do serviço e qualidade da experiência do cliente, destes movimentos em dominó das tarifas…

A julgar pelo teor de uma carta recentemente enviada pela famosa companhia de voos low-cost irlandesa ao jornal especializado Publituris, esta situação é motivo de preocupação também além fronteiras, referindo a empresa que “tem desempenhado um papel significativo na evolução do Turismo no mercado português” ao qual trouxe 3.75 milhões de passageiros em 2011, “através das suas ofertas de baixo custo.” Sem entrar pela análise daquele modelo de negócio e pelo verdadeiro custo para a economia daquelas ‘ofertas (de baixo custo)’ há uma encruzilhada de caminhos cheia de opções que permitem mitigar a tendência e eventualmente provocar a sua inversão.

Passo todos os dias frente à entrada de serviço de um conhecido 5 estrelas e vejo sistematicamente as carrinhas de transporte do trabalho temporário – acho que na construção civil cunharam a expressão ‘cedência de mão de obra’. Consta até que novos e icónicos desenvolvimentos na oferta hoteleira aqui do Algarve, vão apostar fortemente nessa componente… Será que é necessário fazer um estudo da correlação entre a satisfação do cliente com uma experiência de grande qualidade e o modelo de RH (neste caso, contratação) adoptado pela unidade?

Já agora, ao nível da presença nos canais online: ontem, ao fazer uma reserva para Lisboa num canal online líder, deparei-me “Internet Wi-fi is available in the hotel rooms and costs EUR 10 per hour” (!!!) será que é já um princípio de estratégia para inverter a tendência negativa de RevPAR?

Precisa-se urgentemente duma visão mais holística e mais profissional…

O jurássico do ‘revenue management’

Recordo bem que quando cheguei à Região de Turismo do Algarve, no século passado 🙂 um bom amigo, grande conhecedor do negócio turístico nas suas multi-dimensões e em particular da contratação hoteleira, fazia inúmeras graças sobre os ‘erros de palmatória’ que a oferta fazia.

Nessa altura, ‘revenue management‘ não era a buzzword que é hoje e o processo, lento e complexo, iniciava-se muitos meses antes, quando o TO chegava para a contratação anual.

Independentemente das ideias que o hoteleiro tinha – admito que a maioria nem conheceria exactamente a sua estrutura de custos – o TO anunciava o preço que iria pagar para a temporada seguinte (!) O resto da ‘negociação’ fazia-se em torno da quantidade que era contratualizada em garantia (com toda a estrutura de prazos e descontos) e os releases para os allotments sem garantia. Alguma contribuição para a produção da brochura, era aqui que era também jogada sobre a mesa. Estava o assunto arrumado! Quero dizer, em tese, porque mais para a frente a Tunísia, a Turquia ou as Costas espanholas davam um golpe de rins e o concertado para a temporada, era revisto em baixa.

Com o advento dos voos low-cost e o acesso instantâneo e ubíquo da oferta e da procura à mesma plataforma online a coisa pareceu mudar radicalmente…

Agora o hoteleiro tinha acesso directo aos clientes, que tinham acesso directo ao transporte aéreo, os TOs localizaram-se e passaram a DMCs locais e as brochuras ficaram nas respectivas florestas na forma de árvores que com abate adiado…

Na internet emergiram os portais, os agregadores, as OTAs… o tráfico orgânico e referenciado passou a ser canalizado, de forma cada vez mais afunilada, para relativamente poucos players e relativamente muitas declinações dos mesmos players. Os sites dos hotéis passaram a receber cada vez menos tráfico e tornaram-se cada vez mais difíceis de encontrar – já experimentaram googlar o nome dum hotel conhecido ? Pois é, talvez na quinta ou sexta página de resultados.

Com a introdução, há pouco mais dum ano do novo algoritmo google privilegiando a ‘informação local’ parecia que algo mudaria, mas não, o pay-per-click conjugado com as variáveis mais opacas do célebre algoritmo não deixaram ver grandes alterações.

A situação da oferta é hoje em tudo semelhante (se não pior) } à que existia então. Claro que agora já não há a visita anual do TO…mas muita da oferta continuará a não conhecer a sua estrutura de custos…

Na equação entraram os grandes sites de reservas hoteleiras e as margens do negócio têm vindo a diminuir. Recentemente um hoteleiro dizia-me, «não me importo de pagar 15% à xxx porque já construo os preços a contar com isso! » será assim mesmo ? A procura, como está organizada, permitir-lhe-á esse grau de liberdade ? Creio que não.

O Tripadvisor, através da sua plataforma Tingo, desenvolveu recentemente uma campanha que oferece à procura a quadratura do círculo [www.tingo.com/howitworks].

Tradicionalmente o hoteleiro trabalhava com grande antecedência (mais de 3 meses) os grupos, grossistas, etc., com as suas tarifas mais baixas. Depois (mais de 1 mês) incentivos, pré-pagos, ofertas específicas e segmentadas, pacotes, etc.. Às 4 semanas seriam então lançadas as tarifas mais elevadas para a capacidade (ainda) disponível. Pelo menos é o que os livros recomendam!  😉

A proposta da Tingo derruba toda esta lógica.

When you book a Money Back room (look for the logo!), you just can’t lose. You’re already getting a low price, but after you book we keep watching that price like a hawk. If your hotel drops its rates after you book (‘cuz hotels actually change their rates a lot), you’re still safe! Each time the total price of your reservation drops on our site, we automatically rebook your same reservation for free at the lower rate and give you a refund for the difference. What’s the catch? Um…there isn’t one!”

Ou seja, qualquer que seja o nível de preço de entrada estabelecido com anterioridade pelo hoteleiro, este só pode baixar! Com a actual transparência de tarifas e a forma como as expectativas do cliente são geridas, dificilmente aquelas tarifas iniciais vão gerar o factor de ocupação expectado, até ao fim da curva da procura antecipada – há sempre alguém que vai fazer uma oferta menor, há sempre uma pensão que se reposiciona como hotel e se disponibiliza a pagar não os 15% mas os 20% das ‘recomendações’ e ‘ofertas especiais’… O resultado é que o hoteleiro não vai poder (seguir de acordo com as ‘regras’) e vai, necessariamente, baixar tarifas. Nessa altura o site anula e volta a reservar o quarto com benefício imediato do cliente. Este processo vai repetir-se e, independentemente do factor de ocupação conseguido pelo hoteleiro, a tarifa média vai ficar cada vez mais longe da desejável, da prevista e da necessária.

A questão seguinte tem a ver com o serviço (que o cliente vai encontrar na sua experiência hoteleira) e na sustentabilidade (quanto tempo vai a operação hoteleira aguentar esta situação).

Imagino que para o hoteleiro esta seja uma situação de grande preocupação.

…ainda assim ocorreram-me, cheias de actualidade, as graças do meu velho amigo…

algarve: ainda destino turístico…

aeroporto de Faro - meio ano depois do 'temporal' localizado que afectou o terminal...

Bem vindos ao aeroporto de Faro! Meio ano depois do ‘temporal localizado’ que deixou o aeroporto sem hall de chegadas mas com amplos e variados parques de estacionamento no meio de enormes colinas de terra…

Numa tenda provisória no parque 6 da infra-estrutura, “a nova localização do ponto de informação turística permitirá melhorar a qualidade da assistência prestada aos passageiros desembarcados em Faro

http://www.publituris.pt/2012/04/04/turismo-do-algarve-nas-chegadas-do-aeroporto/

turistas esperam de pé na A22 para pagar as portagens...

Turistas esperam de pé na A22 para pagar as portagens… Sem entrar na polémica sobre a bondade da introdução das portagens (por tédio!), que diabo de destino turístico é este?

Cerca de 86% do turistas não teve conhecimento da existência do programa”Allgarve”

O que é que andamos a fazer?

http://expresso.sapo.pt/turistas-fazem-fila-a-pe-na-autoestrada-a22=f717513

Qual é a primeira (e última) imagem que o Algarve oferece aos seus visitantes?

 

O aeroporto de Faro!
Ao longo dos anos, o seu enfoque e prioridades nem sempre estiveram alinhados com os melhores interesses da Região.
Os estacionamentos custavam o resgate dum rei (quando o vizinho aeroporto de Sevilha já era bem menos ganancioso) e verdadeiramente só baixaram há pouco, depois de empresários privados terem começado a oferecer serviços de “estacionamento de longa duração” fora da área aeroportuária, facilmente maximizando as vantagens da sua localização única e estatuto publico, para cilindrar os investimentos dos empreendedores que arriscaram em ofertas alternativas.
Há algum tempo soube-se também que o operador aeroportuário cobrava um valor fixo por todos os embarques e desembarques, um extra adicionado à tarifa aérea, para custear o ‘handling’ dos passageiros com necessidades especiais(!)…Ou seja pretextando em antecipação, por exemplo, um passageiro com necessidade de utilizar uma cadeira de rodas, é cobrada uma taxa extra sobre todos os bilhetes vendidos.
Na sequência do “tornado localizado” do ano passado as obras de recuperação arrastam-se, tornando ainda mais terceiro-mundista a chegada a Faro. O exterior da aerogare está há largos meses revolvido por infindáveis e dificilmente compreensíveis intervenções que parecem ter como objectivo rentabilizar receitas, devidamente articuladas com a repressão do parqueamento de rua em áreas cada vez mais extensas. Enquanto os clientes (detesto a prática de chamar passageiros aos CLIENTES da industria aeroportuária) precisaram saltar tábuas e valas atravessando estaleiros dificilmente compreensíveis para os não iniciados, lá dentro, as obras de recuperação dos estragos do “tornado localizado” continuam (?) ao seu ritmo próprio e o primeiro contacto com o Algarve é feito numa tenda (!).
Mas há outras bizarrias. A aerogare conta com 6 mangas telescópicas para embarque e desembarque directo para os aviões. Porém, a qualquer hora do dia estão uma ou duas ocupadas enquanto o embarque e desembarque dos voos é feito por autocarros, ou a pé se for um voo daquela companhia que parece ter sempre o poder de ‘negociação’ para forçar a mão aos operadores aeroportuários que alegremente esquecem, segurança, conforto e e sustentabilidade, obrigando os seus clientes a, se for um voo não-schengen, a maioria em Faro, subir até ao segundo andar, descer até ao primeiro, caminhar pela manga, descer umas escadas metálicas, caminhar pela pista e subir para o avião que esteve todo o tempo ali ao lado da manga (!).
Mas através deste artificio justificam-se (?) as tarifas aeroportuarias especiais que juntamente com os anúncios de empresa e outdoor compõem o pacote ‘incentivo’ à operação.
No Algarve, pagam-se portagens justificadas no principio do utilizador pagador, enquanto se subsidia com o dinheiro dos contribuintes os supostos voos baratos!
Tanta coisa que vai ficar por fazer depois de perdida a oportunidade que poderia ter sido a operação de resgate internacional…

Petiçāo publica para a permissão de fumar nas salas de cinema

Ontem fiz mais uma tentativa para me reconciliar com o cinema mainstream.

Praticamente reduzido às salas de exibição em centros comerciais, os cinéfilos algarvios estão bem mais limitados nas escolhas, de programação e condições de exibição, do que a população da capital. O cinema, tal e como se nos proporciona hoje em dia é uma experiência sensorial brutal – e não vou aqui entrar nos méritos e deméritos da pipocagem militante.

As condições de higiene são atrozes. De sessão em sessão, ao longo do dia, não há praticamente limpeza das salas. Ao final do dia, à semelhança duma famosa companhia de aviação de baixo custo, é o colaborador que verifica os bilhetes (precário, digo eu) que com uma tímida vassoura e um apanhador, recolhe qualquer pipoca mais teimosa que, por ainda não esmagada, se torne demasiado obvia ao longo do pequeno corredor de entrada das salas até à zona do anfiteatro. Sessão após sessão, a sujidade acumula-se nas salas. Emplastrada nas gastas alcatifas, nos revestimentos das cadeiras, nas pregas dos drapeados dos espessos (de sujidade) reposteiros que cobrem as paredes. Nos sanitários, ao melhor estilo das estacões ferroviárias do antigamente, as manchas perpétuas convidam à datação, por analogia com o sistema de observação dos anéis concêntricos em troncos de árvores, e os eflúvios que emanam dos mictórios são nauseabundos e evocam o pior da estacão da seca em Benares, com esgoto, cadáveres e tudo… Iniciada a projecção o som bombardeia o publico com intoleráveis decibeis aos quais, condicionado já pela frequência de outros locais onde a mesma pratica está convencionada, a plateia reage com bonomia e indiferença.

Escuso-me a comentar a linguagem cinematográfica-playstatiónica, construída sobre um edifício de sequências de réveillons madeirenses sintetizados em computador…

Pergunto-me apenas onde estão as variadissimas entidades que protegem a saúde publica e o consumidor? Onde estão as autoridades que ainda há três invernos atrás tanto se preocupavam com a saúde e higiene e nos pediam a constante lavagem, limpeza e desinfecção. Falta-nos uma gripe dos porcos cinéfila! Estas salas de cinema são casos de saúde publica e o que oferecem é uma experiência terceiro mundista. Será que não é possível entre as perseguições às colheres de pau das cozinhas, aos crocodilos de contrafacção e ao leite excessivamente barato, arranjar um tempinho para ir ao cinema?

Entretanto, acho que para completar o bouquet só falta mesmo que se possa começar a fumar nas salas de cinema. Fazemos uma petição publica para a permissão de fumar nas salas de cinema?