as organizações e o principio de Shirky

crowded

as organizações tentarão sempre preservar o problema para o qual elas são a solução => Princípio de Shirky

os Estados, por definição, também!

Clay Shirky é autor dum pensamento fascinante e provocatório.
No livro “Here comes everybody” desenvolve bastante o conceito ‘crowdsourcing’, o trabalho colaborativo desenvolvido online e a forma sinérgica como a acção, o trabalho de um grupo, acrescenta algo que é mais do que o agregado das acções individuais.

Segundo Shirky o trabalho colaborativo conseguido através de crowdsourcing resulta da combinação adequada duma promessa plausível, com uma ferramenta eficaz, contextualizada numa troca satisfatória para os participantes. Sendo que a promessa, o que o participante conseguirá colaborando no projecto, conduz à vontade não só de participar, mas também de contribuir e ver os seus contributos validados. Isto independentemente da selecção da ferramenta de partilha social mais adequada, que seja feita, desde que preencha o critério da adequação à realização da tarefa em mãos e que eficazmente acompanhe as pessoas na realização da tarefa que se propuseram.

O acordo vai então plasmar as expectativas de cada participante em relação a si próprio e aos outros.

Este crowdsourcing é pois uma ferramenta com um potencial criativo absolutamente notável – quase se poderia dizer, pedindo a Shirky a tal capacidade de analise provocatória, que no crowdsourcing, poderemos ter encontrado, finalmente (!), a verdadeira utilidade das redes sociais!…

Crowdsourcing é assim um modelo de produção que utiliza a inteligência e os recursos de participantes voluntários, espalhados pelos confins inexplorados da  internet, para resolver problemas, para criar conteúdo e soluções, para desenvolver tecnologias, para gerar fluxos de informação ou até para funcionar como focus-groups.

Para além das vantagens evidentes ao nível dos custos, crowdsourcing permite conseguir resultados eficientes e eficazes e, qualitativamente superiores aos expectáveis utilizando ferramentas mais convencionais e incomparavelmente mais onerosas.  (cf.post anterior sobre a ‘wisdom of crowds’) .

O crowdsourcing permite com vantagem, se utilizado adequadamente, gerar ideias, inovar, reduzir o tempo de investigação e de desenvolvimento dos projectos, tudo isto enquanto se cria uma relação directa e até uma ligação sentimental com os usuários.

ah, a propósito, crowdsourcing permite também refundar organizações sustentáveis e aprendentes às quais não se aplicará o princípio de Shirky…

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triagem e julgamento critico!

Quando eu estava na posição de muitos dos meus actuais formandos, o factor critico era a informação. Encontrar a fonte. Seleccionar entre largas dezenas de fontes (físicas) dispersas pela cidade, com horários e regras distintos e que obrigavam a consulta presencial seguida de tomada de notas intensiva. Depois dessa competência principal, a segunda mais importante era a capacidade critica para recolher a informação necessária e suficiente q.b., que permitisse passar rapidamente e em tempo útil, à mesa de trabalho e à redacção.

Passaram alguns anos e, instalado já na actividade de consultadoria, apercebi-me que o desafio e as competências associadas haviam mudado. As fontes eram agora mais próximas e acessíveis. O factor critico passou a ser identificar a fonte ‘boa’ e através dela, a perspectiva que acompanhava o sentido das nossas conclusões, à medida que íamos tomando o pulso ao projecto.

Para os meus actuais formandos a questão já se perspectiva doutra maneira. A competência critica é agora saber triar e utilizar a fonte conveniente, pertinente e adequada, no meio duma montanha de fontes e de uma avalancha de dados, face à sua dimensão de qualidade necessariamente duvidosa (outra competência que se adquire é a consciência de que a qualidade é como a cuisine francesa, as porções são sempre escassas) e à forma intrusiva com que se nos insinuam, quase permanentemente e onde quer que estejamos. Desapareceu a necessidade de competências acessórias prevalecendo uma só competência nuclear: triagem e julgamento critico!

Ocorre-me esta reflexão a propósito das teses de James Surowiecki em “The Wisdom of Crowds: Why the Many Are Smarter Than the Few” onde o autor teoriza sobre a agregação de informação em grupos, resultando em decisões colectivas que são, supostamente de mais qualidade, do que aquelas a que poderiam chegar individualmente os membros do grupo. Mas deixa advertências. São necessárias quatro condições para uma ‘multidão inteligente’:

  • Diversidade de opiniões (cada pessoa tem informação pessoal – mesmo que seja uma interpretação peculiar de factos conhecidos),
  • Independência (as opiniões individuais não determinadas por outros),
  • Descentralização (os indivíduos têm a possibilidade de se especializarem e de aceder a informação local) e
  • Agregação (existem mecanismos que permitem converter as opiniões pessoais em decisões colectivas).